Sábado, Outubro 01, 2011

Rock In Rio de sofá - Observações de quem assistiu aos shows do festival confortavelmente pela televisão.

É de se admirar a coragem, a disposição e a energia de quem se propõe a conferir o Rock In Rio ao vivo. Muitas dessas pessoas nem moram no Rio de Janeiro e passam horas (às vezes dias) enfrentando todas as intempéries e riscos possíveis - desde sol, frio, fome e sede a furtos, assaltos, confusões e tumulto. Mas, gostando ou não das bandas escaladas para o Rock In Rio, é impossível ficar imune ao festival. Principalmente se você estiver confortavelmente instalado no sofá de casa, como é o meu caso.

A primeira parte já passou e contou, inclusive, com a chamada “noite do Metal”. O primeiro episódio que vale ser mencionado foi o show da Rihanna. Não pela cantora em si, que fez uma apresentação bem mais ou menos, anos luz atrás da simpática, linda e divertida Katy Perry. O curioso no caso de Rihanna é que o guitarrista de sua banda é ninguém menos que Nuno Bettencourt. O eterno Extreme e compositor do megahit “More Than Words” apareceu com relativo destaque no show e até arriscou alguns solos com sua indefectível Washburn N4 e suas unhas pintadas.


Mas como os erros ficam muito mais evidentes com a sobriedade e a frieza da televisão e são muito mais freqüentes em eventos desse porte, também são mais divertidos de se comentar. Quem assistiu ao show de Ozzy Osbourne na edição de 1995 do Monsters of Rock, por exemplo, vai se lembrar do sufoco que o vocalista passou. Além de a banda se perder completamente no início de “No More Tears”, o baterista da época era Deen Castronovo, que caprichava nos contratempos e bumbos duplos que confundiram o já senil vocalista até em “Paranoid”.

Nesse Rock In Rio, a banda Snow Patrol foi responsável pelo anticlímax da segunda noite. Eles deixaram para o fim seu maior sucesso, “Open Your Eyes”, mas tiveram de parar logo depois da primeira estrofe por problemas técnicos. A platéia entendeu e apoiou quando eles começaram de novo. Mas, queira ou não, o “momento” já era outro.

Caso semelhante foi o de Tarja Turunen, convidada para cantar com o Angra no palco Sunset. O vocalista Edu Falaschi anunciou “Wuthering Heights” e deixou o palco só para ela. E nada. Tarja perdeu a entrada, ficou constrangida, se desculpou com o público e pediu para começar de novo. Obviamente, também foi um problema técnico, uma vez que o show do Angra teve o pior som de todo o festival, ao menos na transmissão do canal Multishow. Enquanto víamos no palco a banda completa e até um membro da família Lima tocando violino, tudo o que as pessoas em casa escutavam era a guitarra estridente de Rafael Bittencourt - e só.

O erro mais memorável até agora, porém, foi o de James Hetfield. Responsável pelo riff clássico que inicia a segunda parte de “Fade to Black”, ele aproveitou a pausa para preparar a pose de rockstar, fechar a cara e...se esqueceu de pisar no pedal de distorção. Hetfield tocou alguns segundos com a guitarra ‘clean’ até perceber o que estava acontecendo e corrigir o problema. Divertindo-se com a situação, ele voltou a executar a mesma passagem com o som limpo quando a música acabou e comentou ironicamente “So heavy, hum?”.

Já a Globo não aprende que as bandas costumam abreviar seus ‘setlists’. A emissora consegue uma cópia com a produção das bandas e coloca no ar exatamente o que está escrito ali. Assim, durante o show do Metallica, por exemplo, apareceram na tela títulos como “Fade”, “Creep”, “Sandman” e “Puppetz”. O curioso é que no Multishow os títulos não só são grafados corretamente como a emissora também dava os devidos créditos aos compositores.

Verdade seja dita, o canal a cabo fez um trabalho decente até agora. As belas repórteres (ok, Beto Lee também estava lá) conseguiram entreter os telespectadores entre os intervalos das apresentações de uma maneira informal, despretensiosa e até com alguma informação. No fim das contas, fizeram o possível para segurar a bronca ao vivo e contornar os mais diversos imprevistos que um evento dessa magnitude pode ter.

Mas é bom lembrar que o Rock In Rio deste ano vai ser encerrado com um show do Guns n’ Roses. Isso quer dizer que as maiores emoções, atrasos, erros e imprevistos ainda estão por vir. Imperdível, principalmente para quem vai estar em casa.

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